Projeto Felupe


  1. Projeto
    1. Adoção dos Felups
    2. Metas do Projeto
    3. Bonuah - o cicerone
    4. Obreiros
  2. Os Felupes
    1. Onde estão
    2. Religião
    3. Atividade Econômica
    4. Atividades durante o período da seca
    5. Alimentação
    6. Saúde
    7. Recreação
    8. Prosperidade e pobreza
  3. A vida social
    1. As mulheres
    2. O casamento e a vida de casados
    3. Os clãs
    4. Grupos semelhantes
    5. Nascimento
    6. A morte
    7. Outros costumes familiares
  4. Crenças
    1. Deus
    2. Bakinabu
    3. Os bakinabu femininos
    4. Talismãs e amuletos
    5. O Cristianismo
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Projeto

O Projeto Felupe começou quando integrantes da AMIDE se sensibilizaram com a leitura de um livro que falava em povos não alcançados pelo testemunho do evangelho, motivados pela participação no Movimento AD 2000, cujo lema era Uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa, até o ano 2000.

Havia sido instalado um posto avançado da AMIDE na África Ocidental para dar início ao Projeto Soninkê. Aproveitaram aquele posto como ponto estratégico para chegar a mais um povo carente da glória de Deus. Os contatos com os Felups iniciaram no ano de 2000, por intermédio do missionário Osvaldo Honório dos Santos Filho.

Está localizado na chamada Janela 10/40, enorme retāngulo que vai do extremo oeste da África ao extremo leste da Ásia, situado entre os paralelos 10 e 40 acima da linha do Equador.

A área que delimita a Janela 10/40 equivale a um terço das terras do planeta e lá moram quase dois terços da população mundial. Nessa região predominam o islamismo, o animismo, o budismo e o hinduísmo, tornando-a mais resistente ao evangelho da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo.

Adoção dos Felupes

Apóiam o Projeto, mediante a adoção do povo Felup, a Igreja Presbiteriana de Brasília, Presbiteriana do Lago Sul, Presbiteriana Independente de Curitiba, Presbiteriana Nacional e Segunda Presbiteriana de Taguatinga. A administração do Projeto está a cargo da AMIDE.

Metas do Projeto

Alcançar esse povo com a proclamação do evangelho de Jesus Cristo e plantar ali uma igreja autóctone com liderança própria para se multiplicar entre outros falantes de sua língua. A tradução da Bíblia é meta prioritária do Projeto.

Como metas secundárias, estavam a introdução de um sistema mais saudável de alimentação, assistência na área de saúde e o ensino do português, língua oficial do país.

Bonuah - o cicerone

Bonuah, um dyola-bayote guineense residente em Bissau e que também fala o Felup, serviu de Informante para o missionário Osvaldo Honório dos Santos Filho durante o trabalho de pesquisa de campo que foi fazer entre os Felups.

Obreiros

No início de 2001, o Projeto contou com a participação da família Bachmann: o Rev. Thimoty Jon, sua esposa, Avanilde, e os filhos do casal, Agnes, Melissa e Arthur. Trabalharam também no Projeto os missionários Júlio Fafé, guineense, casado com a missionária brasileira Márcia e Faustino Pereira Batista, guineense.


Os Felupes

Onde estão

O povo Felupe está localizado às margens do Rio Cachéu em Guiné-Bissau que é um pequeno país, situado na África, com um pouco mais de 36.000 quilômetros quadrados. São ao todo dezoito aldeias.

A língua

O continente africano pratica uma grande variedade de línguas, entre elas a negro-africanas, dividida em dezessete grupos, dos quais dezesseis são as chamadas línguas guineo-sudanesas. Um desses grupos, o guineo-senegalês, é constituído de 24 línguas, e uma delas é o diola (também conhecida como yola, ou djola), esta falada nas terras compreendidas entre as margens do baixo Gāmbia (no país do mesmo nome) e do baixo Casamance (este último em território senegalês). O diola se subdivide em vários dialetos, dos quais dois falados em Guiné-Bissau: o Felup e o bayote. O dialeto Felup acabou por dar nome ao povo que o fala.

A Religião

Os Felups são animistas, tradicional religião africana. Animismo é a crença de que todos os elementos da natureza possuem espíritos, os quais inspiram temor, possuem poderes para o bem ou para o mal e exigem serviços e adoração com sacrifícios rituais.

Atribuem vida e poder a tudo o que existe, até mesmo pedras, ventos, rios, árvores, o sol, enfim. Acreditam na existência de um Deus Criador, a quem chamam de Emitay, mas crêem também em seres da natureza, denominados bakinabu, espíritos mediadores entre Emitay e o homem.

Sob a influência dos espíritos, praticam a baloba (curandeirismo), o jambacós (adivinhação, mediunidade e consulta aos mortos) e o mandiqueirismo (feitiçaria negra). Sacrificam animais e até mesmo humanos. Outras práticas são o uso de amuletos, talismãs, fascinação, encantos, maldições e possessão.

Alguns moram ao norte do Rio Casamance e se dizem muçulmanos, embora mantenham práticas animistas.

Atidade Econômica

A vegetação é rasteira em regiões de savana. As áreas de charcos, geralmente à beira dos rios, são usadas para as butondas (plantação de arroz) principal cultura da região e base de sua alimentação.

Os Felups são essencialmente agricultores, dedicando-se em menor escala à pecuária e à pesca. Na zona costeira os Felups extraem das palmeiras típicas da região o vinho e o óleo de palma. O cajueiro é abundante e a sua polpa usada para fazer vinho ou cachaça e a castanha destinada à venda ou à troca por arroz.

As plantas frutíferas, típicas da região são laranjeiras, limoeiros, bananeiras, jaqueiras, mamoeiros e as plantas regionais são calabaceiras, foli, veludo e mandiple .

Dedicam-se à criação de animais domésticos, como galinhas, patos, porcos e cabras. Poucos criam gado bovino. Gatos, cachorros e macacos constituem o pequeno universo de seus animais de estimação.

Atividades no período da seca

Nessa época os homens trabalham na construção ou restauração de casas, caçam, fazem ou consertam ferramentas (kajandu) para o plantio de arroz; fazem cordas para subir nas árvores, canoas e colhem o vinho de palma, uma planta da região, com o qual fazem bebidas alcoólicas.

É vergonhoso para um Felup não ter o que fazer, por isso quando estão sem serviço trabalham para outras pessoas, por dinheiro.

As mulheres ocupam-se em fazer cestos, esteiras, redes de dormir e vasos, potes e panelas de barro, produtos para seu próprio uso doméstico, nas colheitas ou mesmo para ser comercializados.

Algumas delas ocupam-se em extrair o citi (azeite de palma) para ser vendido, ou em buscar palha nova no mato para substituir a cobertura velha da casa, destruída na época das chuvas. Cabe também a elas armazenar madeira e fabricar carvão para uso na cozinha.

Hábitos alimentares

A dieta alimentar consiste basicamente de arroz, mandioca, e também peixe. Não têm o costume de plantar certos tipos de hortaliças e legumes, já que nem toda terra ali é apropriada para isso.

A comida é geralmente cozida e, em ocasiões especiais, frita. Carnes de gado bovino, suíno e caprino só são usadas em conexão com práticas de cultos animistas. Galináceos também são sacrificados com tal fim, mas às vezes são preparadas para visitantes.

Os Felups comem em comunidade, isto é, servem-se de uma mesma tigela posta no chão. Os homens usam para tanto uma colher, enquanto que as mulheres e crianças usam as mãos. Em grupos mais tradicionais, os homens se alimentam separados das mulheres.

Saúde

Na região existe grande quantidade de moscas, percevejos, chatos, pulgas, baratas e parasitas, como piolhos, carrapatos e bichos de pé, de pato e de galinha e mosquitos, inclusive os transmissores da malária, considerados os maiores assassinos do oeste africano.

As verminosos são comuns entre os Felups: amebas, lumbrigas, caseiras, giárdias e, nas zonas de charcos proliferam os caramujos, o esquistossomo por eles transmitidos.

As doenças mais comuns são a malária, a amebíase, infecções intestinais, cólera, febre amarela, meningite e esquistossomose devido ao uso de água não tratada, decorrente da falta de saneamento básico. Fazem suas necessidades fisiológicas ao léu, até mesmo próximo das fontes de onde tiram água para uso doméstico.

Recreações

O esporte preferido dos Felups é a luta corpo a corpo, chamada de ewagney, que acontece somente durante a estação da seca, já que o trabalho e os estudos ocupam os jovens durante quase todo o ano.

Terminadas as chuvas e a colheita do arroz, bem como o ano escolar, as vilas se desafiam mutuamente e marcam data e local para as lutas. As demais aldeias assistem ao espetáculo. O vencedor desfruta de enorme prestígio perante todas as aldeias, situação que perdura até que venha a próxima estação da seca, quando então um outro vencedor ocupará seu lugar.

A dança é por demais apreciada pelos Felups. As principais danças são a da chuva, a da lavoura, a do funeral, a das balobas, a das mulheres, a dos homens, a dos jambacós, sem falar nas que acontecem espontaneamente por pura diversão.

O ritmo é marcado pelos tambores, e o que os ajuda a animar-se é o vinho de palma. Esses dois ingredientes fazem do ekonkon uma dança colorida, barulhenta e cheia de vida, especialmente para os jovens.

Prosperidade e Podreza

A prosperidade para os Felups é medida pelo número de filhos, de vacas e, nas aldeias mais afastadas, de arroz em estoque que um homem possui.

Nas tabankas mais próximas da civilização os Felups já têm outra mentalidade: o arroz é mais útil se usado, e não quando guardado. Eles preferem comer arroz puro a terem de matar uma de suas vacas.

Outros optam por se alimentar menos ou mesmo pedir ajuda, a terem de reduzir seu estoque de arroz. Não existem entre eles pobres, no sentido real da palavra, uma vez que, por força de sua cultura, os Felups usualmente dividem entre si aquilo que possuem.


Vida Social

As Mulheres

A mulher Felup é emancipada. Desenvolve papel importante na sociedade. Suas atividades na família são claramente definidas.

O homem ajuda a esposa em atividades domésticas se ela está muito ocupada. A mulher é sempre consultada pelo marido no que diz respeito à educação dos filhos ou a outros assuntos da esfera familiar. E ela também pode tornar-se sacerdotisa de um determinado bakinabu (um espírito).

Quando uma mulher se casa, conserva o sobrenome de solteira, o que de certa forma a faz mais emancipada que as próprias mulheres ocidentais. Por outro lado, com a morte do marido, todos os bens não vão para a viúva, mas para o irmão do falecido. Se a viúva ainda for jovem, provavelmente retorna para a casa de seu pai e volta a casar-se. Já as viúvas idosas são cuidadas pelos filhos, que lhes dão sustento e casa onde morar.

O casamento e a vida de casado

A lei dos Felups não admite a poligamia. Os casamentos são monogāmicos, permitindo-se a separação dos casais. É comum ver casais que permanecem unidos até a morte. Como no ocidente, é usual a ocorrência de homens com ligações extraconjugais.

No passado a conservação da virgindade até o casamento era respeitada. Por influência da cultura européia no entanto, a maioria das jovens engravidam antes do casamento, nem sempre vindo a casar-se com quem as engravidou.

Os Clãs

Os Felups vivem em clãs, chamados de moranças, que é o aspecto mais importante de sua vida. O povo é altamente leal a seu clã. O pai é o cabeça da família, e as heranças são passadas de pai para filho. Os homens e as mulheres mais velhos possuem mais poder e autoridade e influenciam em tudo que diga respeito ao clã.

Entre os Felups não existem órfãos, pois em sua cultura as crianças não pertencem a sua família imediata, mas ao clã, o que automaticamente leva outra família de seu reduto a assumir as crianças que perdem pai e mãe. Como as crianças são em geral de propriedade pública, qualquer um tem liberdade para discipliná-las quando necessário.

Grupos Semelhantes

Grupos semelhantes, ou fatu, são muito importantes entre os Felups. São formados por pessoas da mesma idade que se divertem juntos, trabalham juntos. São uma espécie de clubes de nossa cultura ocidental.

Nascimento

Quando a mulher engravida, sua atividade sexual é interrompida até que nasça o bebê. Existem alguns tabus quanto ao nascimento. O costume é que a mulher prestes a dar à luz vá para a maternidade da vila, para receber atendimento por uma parteira local.

A mãe é semidespida na entrada da maternidade e suas roupas deixadas do lado de fora. O restante das roupas é depois removido e destruído.

O marido não recebe nenhuma informação da esposa ou do bebê até que ela retorne. Mãe e o filho só aparecem em público depois que o cordão umbilical do bebê cai e para o aparecimento ambos terão a cabeça raspada.

Se a criança nasce morta ou morre antes da apresentação pública, seu corpo é enterrado sem nenhuma cerimônia especial, e o pai é informado de que não lhe nasceu filho algum. Se a mãe morrer ao dar à luz, seu corpo é levado para casa para realizar a cerimônia pública.

A Morte

Quando morre um Felup, seu corpo é geralmente enterrado no final do dia, ou no dia seguinte. Tiros ou toques de tambor são usados para anunciar o acontecimento.

O corpo do falecido é banhado, vestido e exposto ao público. Enquanto isso, as mulheres (também os homens, às vezes) ficam chamando pelo nome do morto enquanto correm de um lado para o outro da vila. Prantos são ouvidos à distāncia.

Se o morto é adulto, todos, à exceção dos familiares, dançam, homem com homem e mulher com mulher. O corpo é enrolado em panos e depois numa esteira, sendo então levado ao lugar da dança para o djongago, que é o questionamento da razão de sua morte.

Dias depois um animal é morto em honra ao defunto. (Não se sabe, contudo, se isso é algum tipo de sacrifício, ou não.)

Outros costumes familiares

Embora barulhentos, os Felups são discretos. Atritos entre famílias são discutidos e resolvidos com a maior discrição.

As sogras são tratadas como visitas e não devem interferir na vida familiar dos filhos casados

No período da menstruação a mulher fica em uma casa construída especialmente para abrigar as mulheres nessa condição. Enquanto a menstruação não termina as mulheres casadas têm permissão para voltar a seu complexo residencial apenas para realizar os afazeres domésticos, não podendo no entanto entrar em casa nem cozinhar para a família.

Crenças

Deus

Os Felups acreditam em um Deus-Criador, a quem chamam de Emitai ou Ateemit, o qual mora no céu.

Para suprir a necessidade de poder espiritual, conforto e proteção, eles recorrem, por meio de sacrifícios, libações e mediunidade de sacerdotes e sacerdotisas, aos bakinabu, que estão mais perto e acessíveis.

Em tempos de crises e desastres, como a morte e as secas, os Felups dizem ser Emitai seu causador, e por isso mesmo tais situações são aceitas sem questionamento, como uma espécie de fatalismo.

Bakinabu

Os Felupes acreditam em um tipo de poder espiritual a que chamam de bakinabu. Esse espírito pode ser alcançado por sacerdotes, médiuns, curandeiros e feiticeiros. O poder dos bakinabu tem a ver com assuntos como fertilidade, curas, maldições ou quebra de maldições, sucesso nos negócios, previsão do futuro.

O senso de identidade dos Felupes (Eu sou, porque pertenço) provém de jayi (reino). Cada pessoa é nascida dentro de um jayi, que rege um sistema de circuncisão e iniciação aplicado somente aos homens. Esse acontecimento de circuncisão varia de aldeia para aldeia.

Bakinabu Feminino

As mulheres têm seus próprios bakinabu, chamados ehunaa, que tem que ver com a fertilidade. Independentemente do jayi a que pertençam, todas se identificam com o mesmo ehunaa. Outro bakinabu importante é o ba=ankulen, que tem que ver com provisão de alimentos para a família e também com fertilidade. O talismã do bakinabu é geralmente colocado na dispensa da casa.

Talismã e amuletos

O talismã é usado por pessoas que buscam em curandeiro ou sacerdote a cura ou proteção contra maldição. Até mesmo os que se dizem cristãos são tentados a comprar um talismã quando têm uma criança doente em casa.

No nascimento a mãe amarra um cordão de búzios na cintura, uma corda especial no pescoço da criança, como amuletos de sorte, e um outro no pulso, como amuleto de proteção dos maus espíritos. Tais amuletos devem ficar na criança até que cresça.