De: Suzuki e Marcia [suzukiemarcia@gmail.com]
Enviado em: sexta-feira, 23 de março de 2007
17:37
Para: suzukiemarcia@gmail.com
Assunto: problema com os trigemeos Ikpeng
Queridos amigos,
Temos um comunicado importante para fazer a todos vocês que ficaram sensibilizados com o caso dos bebês trigêmeos da tribo Ikpeng que escaparam do infanticídio. Recebemos muitas mensagens manifestando interesse e preocupação, e recebemos também as doações que vários de vocês generosamente fizeram. Com sua ajuda conseguimos estender a mão e socorrer essa família.
Os bebês estão se desenvolvendo muito bem. Passaram três semanas hospedados em nossa casa em Brasília. Receberam acompanhamento médico e muitas manifestações de carinho de amigos, de irmãs da Pastoral da Criança, das Igrejas Presbiterianas Nacional e da Alvorada, entre outras. Receberam também uma visita da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que estava tentando conseguir uma moradia para a família e emprego para o pai durante o período em que estivessem em Brasília.
Tudo parecia estar indo bem, quando recebemos uma mensagem do chefe do posto indígena Pavuru, que é tio dos trigêmeos. A carta supreendeu não só a nós, mas também aos pais da criança, que não sabiam do que se tratava. Transcrevo a seguir parte da carta:
"Estamos com problema sério aqui em relação trigemeo, um problema cultural entre familia... Por esta razão estou solicitando como a indigenista o retorno dos mesmo na quinta feira para que os pai do gemeos participão um cerimonial de purificação de espitritual na quinta de tarde.. Por este motivo solicito levar os mesmo no aeroporto as 9 da manha. Portanto é inadiavel."
Apesar preferirem ficar conosco em Brasíla, Marité e Tximagu tiveram que acatar a decisão dos parentes mais velhos. Marité não soube nos explicar que tipo de cerimônia seria esta. O vôo saiu ontem pela manhã e no momento eles já estão na aldeia com as crianças. Estamos preocupados com essa situação.
Sentimos muita saudades da família Ikpeng – já estávamos acostumados com a casa cheia de bebês, fraldas e mamadeiras… A sonoridade da língua Ikpeng enchia o ambiente e já estávamos aprendendo os passos ritmados da dança desse povo. Os pais são jovens, muito queridos e prontos para aprender. Jovens preciosos que podem ter ainda um papel muito importante no futuro de sua nação. Na quarta-feira à noite Marité foi entrevistado num programa da rede Gênesis (rede nacional) e foi muito claro e incisivo. Afirmou que testemunhou muitos casos crianças enterradas vivas no Xingu e que ele mesmo sofreu várias ameaças com relação aos seus trigêmeos. Mas que ele decidiu agir diferente e resolveu criar seus filhos.
Marité e Tximagu levaram a maior parte das doações que receberam e provavelmente estão supridos por cerca de um mês. O restante das doações será transportado num carro da FUNASA quando possível. Vamos continuar em contato com Marité e todas as doações que chegarem serão encaminhadas para eles no Xingu. Continuem conosco. Contamos com você para continuar apoiando essa família. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados entrou em contato com o chefe de posto da FUNAI, pedindo explicações com relação ao retorno da família para a área. Que sejamos um número cada vez maior de vozes a gritar em favor da vida!
Edson e Márcia Suzuki
ATINI - VOZ PELA VIDA
www.vozpelavida.blogspot.com