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Os trigêmeos Indígenas foram aceitos



De: Suzuki e Marcia [suzukiemarcia@gmail.com]
Enviado em: quarta-feira, 18 de abril de 2007 15:36
Para: Edson e Márcia
Assunto: os trigemeos foram aceitos!

Queridos irmãos,

"Eu faço chegar a minha justiça, e ela não está longe." Is 43.13

Todos os que estavam preocupados com os trigêmeos Ikpeng podem se tranquilizar, pois a justiça de Deus está chegando para essas crianças. Ontem tivemos ótimas notícias sobre os bebês. Kumaré, o tio das crianças veio falar conosco no escritório da ATINI em Brasília. Kumaré além de tio é o chefe de posto da FUNAI na área. Foi ele quem enviou a mensagem pedindo o retorno imediato das crianças para a aldeia alegando um problema cultural.

Kumaré veio buscar o restante das doações que ainda estavam conosco (berço, carrinho de bebê, fraldas, roupinhas…) Aos poucos ele foi explicando o que aconteceu. Disse que todo bebê em sua aldeia passa por um ritual de iniciação quando atinge mais ou menos 3 meses de idade. É nesse ritual que o bebê é oficialmente integrado a comunidade e ao ambiente da mata. Como bebês gêmeos não são aceitos, eles nunca chegam a passar por esse ritual. No caso desses trigêmeos a situação mudou e criou-se um impasse na mente do povo. Já que os pais se recusaram a sacrificar os bebês, agora eles estavam crescendo e alguma coisa tinha que ser feita. A família iria ou não passar pelo ritual? Diante do impasse, o cacique então reuniu todo o povo tomou uma decisão. "Essa é uma situação nova. Mesmo que vocês não aceitam essas crianças, você precisam respeitar a vontade do Kumaré, que é tio das delas e chefe do posto. Mandem buscar as crianças para o ritual. Vamos recebê-las em nossa comunidade."

Com isso estava quebrada uma tradição ancestral. Ragal, Katiparu e Piatari foram aceitos e marcou-se uma grande festa. Kumaré pediu um vôo da FUNASA e logo a família estava na aldeia. O cabelo das crianças foi cortado e o corpinho delas foi pintado em padrões que imitam peixinhos. A alegria do casal, dos tios e do avô foi muito grande. Pessoas que antes passavam de largo, que cuspiam e que não se aproximavam da família, mudaram de atitude. Os bebês foram levados nos braços e atrás seguia uma comitiva. Iam mostrando os caminho da mata, o caminho do rio, o caminho da roça. A festa durou vários dias e tudo correu bem - houve uma mudança radical na aldeia. Essa é uma grande vitória no mundo espiritual. Sabemos que muita gente se sensiblizou e orou por essas crianças. Deus não só as livrou da morte como também abriu caminho para uma mudança significativa na história do povo Ikpeng.

Depois do ritual a família foi para a cidadezinha de Sinop porque o pai foi contratado pela UNIFESP para trabalhar com um programa de saúde indígena. Com o salário ele conseguiu alugar uma casinha onde vai ficar com a família. Mesmo com a aceitação dos bebês pela comunidade, eles acharam melhor ficar na cidade por algum tempo, pois não têm recursos para criar as crianças sem ajuda de fora. Continuam precisando da doação de leite, fraldas e roupinhas.

A ATINI vai continuar apoiando essa família e providenciando para que todas as doações cheguem até eles. Com seu apoio, podemos ajudar líderes como Kumaré e pais como Marité a fazer diferença. Aos poucos vamos avançando na luta para erradicar o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil. Seja uma voz - seja ATINI.


Edson e Márcia Suzuki
ATINI - VOZ PELA VIDA
www.vozpelavida.blogspot.com